sábado, 16 de outubro de 2010

Os extraterrestres não aguentariam a Terra



Roselene Nunes de Lima

            Está tudo muito fora do lugar. Políticos cassados e logo “descassados”; condenados que são inocentes; inocentes que são condenados; faltam professores ou professores faltam nas escolas; pacientes que pensam que são médicos, dão consultas e operam; denúncias que de nada servem; maus tratos aos animais de forma cruel; assassinatos aos moradores de rua; idosos e crianças com os seus cuidadores descuidados; tanque cheio de álcool, não só do motor; cabeças mais fracas que as drogas; cidadãos presos e criminosos soltos; pobre que detona com pobre; jovem que estaciona em vaga de idoso; saudável das pernas que estaciona na vaga de cadeirante; proibição do comercial de cigarro e permissão do comercial de bebidas alcoólicas, estas que causam muita desgraça ao povo; preguiça que não faz melhorar nenhuma Nação. Cooperação, o que é isto, mesmo?
            Porque é que não se cria uma lei para evitar o uso de bebida alcoólica em determinadas situações? O Sistema Único de Saúde – SUS – gasta muito dinheiro para atender as pessoas vítimas dos beberrões, sejam em acidentes nas rodovias ou de agressões físicas. A pesquisadora Ana Mara Dutra Souza (2005) afirma, em sua dissertação de mestrado que: “Os dados do DATA SUS apontam que o alcoolismo é a causa de 40% dos acidentes de trabalho; o consumo de álcool é a terceira maior causa de ausências no trabalho, além de ser a oitava causa de concessão Pela Previdência Social de auxílio-doença.”
O descaso com a educação, a saúde, o saneamento,... É difícil aguentar tudo isto. Além do mais, estamos num tempo tão estressado, impaciente e egoísta que estamos acertando e pedindo desculpas por acertar. Fica cansativo resolver problemas que não são necessariamente só nossos. Todos somos responsáveis por este país, mas nem todos querem participar, muito pelo contrário, muitos vivem dizendo o que se deve fazer, mas não fazem: “eu não vou resolver sozinho”. Poxa! Todos devem fazem a sua parte. Ouvir, falar e agir. Sem agir não conseguiremos melhorar esta Nação, que é tão forte em recursos da terra.
Então, responda: A Terra é o melhor lugar para se viver, com tantas pessoas pensando somente em si? Porque os interesses não são coletivos quando se trata das necessidades básicas do povo?

Artigo publicado no jornal Tribuna Independente em 15.10.2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Deixa para lá!


Roselene Nunes de Lima

            Todo dia escutamos alguém comentar que teve um insucesso numa relação de compra em alguma loja, as pessoas reclamam de uma mercadoria que não chegou no prazo estabelecido, de um produto que veio com defeito e até algo que veio no lugar de outro. Escutamos, também, alguns colegas falando que preferem comprar pela internet, pois não tem burocracia, é sempre sem fila, aceita cartão de crédito e ainda chega rápido. Uma situação constrangedora a cada venda mal feita, não somente pela pessoa que vende, mas pelo despreparo da empresa, de forma geral.  
            Imaginamos que depois desse aborrecimento tudo passa – até que compremos outro produto – e tudo bem. Mas, vocês já perceberam que as pessoas falam que não foram reclamar porque era demorado? Muitas vezes foi só uma cor diferente daquela que escolheu e não queriam perder tempo, pois iam se atrasar para outros compromissos. Quando não, falam que não vão mais a loja e pronto.
            As prestadoras de serviços fazem parecido, vendem um serviço e não é bem o serviço que apresentou ser. Em se tratando de telefonia móvel o comercial é grande e as vantagens são poucas. Para a telefonia fixa e internet banda larga também funciona assim. Os primeiro meses os serviços são maravilhosos, mas depois...
            Estamos sempre deixando para lá. De vez em quando presenciamos uma pessoa fazendo um verdadeiro show por estar chateado em receber serviços ruins num restaurante, num banco, num hospital ou qualquer outro estabelecimento. Muitos que estão de fora logo condenam a pessoa dizendo que ela não tem classe ou elegância, que faz barraco. Infelizmente não nos colocamos no lugar da pessoa, ela já deve ter levado tanto “tapa na cara” que tem um momento que não aguenta e explode. Aí vem o deixa para lá, nada!
            Se formos fazer uma analogia, na educação é muito parecido. Alguns professores tratam mal seus alunos, diminuem sua autoestima e dão aula de má vontade, como se fosse um favor para o aluno ele estar ali na sua frente dando aulas. Daí que os jornais noticiam alunos que agrediram um professor ou professora, deve ter sido o “show” deles de não suportar mais tantas mazelas e desrespeito. Temos que dar exemplo. Precisamos usar de delicadeza com os educandos, eles aprendem conosco. Se o professor pode elogiar ao invés de depreciá-los porque é que se fazem agressões verbais? É mais fácil pedir silêncio do que mandar calar a boca. É mais fácil ser gentil, pelo menos com um sorriso, do que ser arrogante, pedante, impaciente ou descortês.
            Nossos alunos não precisam de maus tratos, a vida já é muito dura e cruel com eles. Tem uma hora que eles também não conseguem deixar para lá!

Artigo publicado no jornal Tribuna Independente no dia 5.10.2010


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

As crianças já sabem em quem votar!


Roselene Nunes de Lima

            A cada dois anos acontece o mesmo evento: eleições. Todos sabem que às vésperas da realização desta grande festa democrática ficamos agitados, planejamos as idas aos municípios vizinhos, se for o caso de quem não vota na sua cidade, fazemos parcerias com os colegas nas caronas e até fazemos uma festinha particular quando os nossos candidatos, aqueles que acreditamos que têm as melhores chances de melhorar o Brasil, estão na frente. Uns ficam tristes e às vezes até agressivos por não conseguirem o que queriam e outros felizes. No geral estamos tristes por tantas mortes nas filas dos hospitais públicos, tanta violência e tantas pernoitadas as portas de escolas públicas, as pessoas armam as barracas e por vezes, também, “barracos”. Não precisamos passar por tudo isso, que infelizmente não estamos conseguindo melhorar rapidamente. O êxito demora, somos muitos e temos necessidades demais.
            Falando em violência, pensamos que as “faculdades” que “diplomam” os bandidos estão sempre de portas abertas e com mensalidades pagas aos “alunos”, porque é notícia ruim a todo o momento, está muito banal ver um homicídio ou qualquer ato violento. Abuso sexual contra adultos e crianças e (...). Parece-nos faltar sempre a punibilidade. Então fica impossível falar de tudo isso e a criança ficar alheia ao que ocorre, pois ela é, muitas vezes, a vítima.
            Quem quiser que pense que a criançada está por fora de tudo isso. Criança não brinca apenas, ela está atenta a tudo o que ocorre ao seu redor, sabe e vê tudo que passa por perto dela. Aprende facilmente, discute as questões sociais, sabe entrar em qualquer assunto, embora tenha tantas dúvidas e enganos, mas os adultos também têm.
            No período que a televisão transmite o guia eleitoral alguns reclamam e não assistem, adultos estão cansados das promessas de políticos e se esgotam facilmente de assistirem o que julgam balela, não é para menos, com tanto episódio ruim na vida real, ninguém deixa de ter razão – que por vezes tem sido uma razão coletiva. Embora muita gente pense que não, mas as crianças estão assistindo o guia eleitoral, sabem as músicas, os partidos, as propostas de todos os candidatos, elas discutem qual deve ser o sucessor desse ou daquele político, arriscam a dar um palpite para o vencedor, acompanham os debates e julgam os melhores políticos na discussão. As crianças votam nulo, branco e nos candidatos que escolhem, elas participam também. Elas não votam por votar, sempre buscam defender as suas escolhas. A grande diferença é que elas defendem os seus candidatos sem agredir verbalmente o colega que defende outros candidatos, pois acompanho a movimentação delas nas escolas que trabalho. Isto é o que chamamos de democracia.

Artigo publicado no jornal Tribuna Independente dia 24.9.2010

sábado, 18 de setembro de 2010

As paredes ouvem bem!

Roselene Nunes de Lima

                Não só as paredes têm ouvidos, nós também temos e muitas vezes ouvimos bem mesmo. Vocês já perceberam que tem gente que pensa que somos surdos e gritam quando falam ao celular? Celular? Esta é a palavras chave. Passamos a ter menos tempo de ver as pessoas, pois falamos pelo celular, e como falamos! Quando foi lançada a promoção da “oi”, aquela dos fins de semana, ficava impossível dar aula com tantos alunos “comprometidos” falando ao celular. Vocês pensam que eles estavam preocupados se atrapalhavam os colegas? Não estavam mesmo. Tivemos a febre dos fins de semanas, que agora diminuiu um pouco. Bem, não importa qual operadora, mas qualquer uma hoje dá um mundo de vantagens e as conversas inadiáveis são constantes. Não importa se é um aluno ou é um profissional. As reuniões ficam difíceis de serem conduzidas com tantos aparelhos ligados sem estarem no modo silencioso.
            Será que nos esquecemos de respeitar os ambientes? Falamos muito ao celular e as pessoas ao nosso redor nem querem ouvir a nossa conversa, nem percebemos que falamos um monte de besteiras além de realizarmos negócios, que são tão particulares. Até no banheiro público ouvimos as vozes altas dando instruções ou broncas, endereços ou contas bancárias, elogios ou críticas, “eu te amo” ou “eu te odeio”. Às vezes até esqueço o celular em casa e acho bom, pois não incomodo ninguém que esteja de fora.
            Celular no volante, esse é um perigo constante, parafraseando a frase machista, que nem preciso repetir. Multas e colisões sempre acontecem.
            Na hora da aula é que acontece o caos. O aluno sai, perde o momento da aula, volta diz que não entendeu nada e quer uma repetição. Sem contar com aquele que não sai da sala, conversa como se estivesse em seu escritório aproveitando grande tempo de perda da aula. As crianças também andam com celular e ligam na hora da aula. Outro dia eu estava dando aula e uma aluna começou a conversa às 7 horas da manhã, assim que entrou na sala. Eu pensando que poderia ser a mãe dela resolvi não intervir. Quando foi umas 8 horas tive que falar. Perguntei se era o escritório dela, foi quando ela desligou. A aluna tinha 13 anos e a família permitiu que ela levasse o celular para escola. E agora? Bem, o ideal é que se entre num acordo entre professores e alunos.
            Quando a aula é com adolescente, tudo bem, a fase é de contrariar. E quando o curso é de professor para professores? Os próprios professores criticam os alunos da educação básica, mas não fazem o que querem que os alunos façam. Ouvimos cada conversa que nem esperamos e nem queremos. Não precisamos alugar um escritório para usar o celular, mas podemos ter mais cautela.
Artigo publicado no jornal Tribuna Independente em 18.9.2010

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Exigir o quê?

Roselene Nunes de Lima

            Na hora de escolher um produto para consumo as pessoas escolhem o melhor, na hora de escolher um salão de beleza ou uma loja para visitar, as pessoas escolhem os melhores. Todos escolhem o melhor, preferem o melhor e estão preparados para o melhor. Ninguém vai se preocupar em comprar para si mesmo algo de qualidade duvidosa ou não confiável. O sabão, o sabonete, a roupa, tudo melhor. Mas é lógico, não queremos qualquer objeto que não seja de qualidade boa.
            Vocês já perceberam que muitas pessoas estão em busca do “mais, mais” e querem o melhor? Mas nem sempre estão dispostos a pagar o preço merecido. Vão à costureira e escolhem o modelo mais bonito, este dá mais trabalho e requer mais material para fazê-lo. Chamam um técnico de informática ou da máquina de lavar, geladeira, dentre outras máquinas e querem que sejam o mais bem conceituado técnico e que, além disso, tenha boas referências. Contratam um jardineiro que tenha uma “boa mão para a terra”. Não é tão difícil de entender.
            Quantas vezes vimos ou sabemos de alguém que disse que os serviços são muito caros, que desse jeito não dá, que no outro profissional é mais barato. Colocamos inúmeros obstáculos para compensar uma pessoa por um serviço bem feito que tenha uma boa durabilidade e uma ótima eficiência. É bom que cada um de nós nos coloquemos no lugar das pessoas que estão prestando aquele serviço.
            Na Educação é muito parecido. As pessoas estão às portas de prestar um concurso ou vestibular, procuram um professor particular, acreditam que ele fará milagres às vésperas do exame, querem ser aprovadas. E na hora de pagar a conta? Querem preços baixos e boa qualidade nas aulas. Muitas vezes a pessoa que procurou o professor não tem aptidão para estudar aquele assunto, não gosta mesmo, nunca aprendeu na época da escola porque não gostava daquela disciplina e não queria remunerar bem aquele professor, ou pelo menos pagar o que lhe foi cobrado. Assim é fácil querer cada vez mais.
            Algumas mães querem contratar professores particulares para os seus filhos e não querem pagar o valor merecido. Aula em domicílio acarreta tempo de idas e vindas do profissional. Mas quanto custa a educação dos seus filhos? Será que você pode procurar qualquer um para ensinar ou quer realmente um profissional competente? Até que ponto é interessante procurar um professor para ensinar conteúdos aos seus filhos? E porque não procurar um professor que prime em subsidiar a aprendizagem e o pensar dos seus filhos?
            Artigo publicado no jornal Tribuna Independente em 10.9.2010