sábado, 28 de maio de 2011

Bilhar Holandês com alunos do 6º ano

O jogo bilhar holandês está disponível na internet, é um jogo que faz o aluno aprender regras e entender o que está lendo, aprimora o cálculo mental e o cálculo com calculadora.
Fizemos um campeonato no laboratório de informática, na Escola Haroldo da Costa, Maceió, AL, nas turmas de 6º ano. As fotos a seguir mostram a satisfação no campeonato.

Alunos jogando em duplas


















domingo, 8 de maio de 2011

Educação noturna



Roselene Nunes de Lima
Professora e Psicopedagoga
roseanis@ig.com.br

            Os alunos do noturno, da Educação Básica, não estão preparados para estudar. Ir à escola, apenas, é a motivação. Quando o aluno é adolescente a motivação é o Bolsa Família ou, simplesmente, sair de casa, que é muito apertada e tem muita gente. Arrumar uma ocupação fora de casa. Tem aluno que quer o certificado, a carteira de estudante, a merenda, também vender drogas “proibidas”, atrapalhar, fazer encrenca, encontrar objetos fáceis de serem furtados. Você, leitor ou leitora, pode até estar se perguntando se só existem alunos vilões. Cadê os “mocinhos”?
            Há também aqueles alunos que querem aprender, recuperar o tempo perdido, fazer amizades, ser gentil e aprender a conviver. Socializar mesmo.Infelizmente os poucos vilões se tornam muitos, e até demais, pois os bons, aqueles que querem o melhor para si e para os outros, que querem um Brasil justo e igualitário, começam a se evadir das escolas noturnas sob a alegação que não tem como assistir aulas combagunceiros e contraventores.Ficam cansados, são ameaçados, não aprendem como gostariam de aprender.
Os vilões afastam os professores, pois eles não ficam motivados a lecionarem e se transferem de escola ou de turno. Tem alunos que são autoritários, arrogantes, imperadores, que querem ser “o cara”, mangam das pessoas dos seus defeitos físicos, por menores que sejam, arrumam confusões, aquele bate-boca infindável. Os nossos alunos complicados são os abortos vivos que a igreja permitiu que viessem ao mundo pela proibição dos anticoncepcionais, são os abortos vivos que os pais irresponsáveis permitiram que viessem pela desinformação, ou melhor, desinteresse do que é ter filhos, porque informações todos têm. Tantos filhos nascidos com pais não assumidos.
            É um terror estudar com colegas desalmados ou desamados, desinteressados, desmotivados, infames. Não, meu caro leitor, minha cara leitora, esta fala não é minha, é dos alunos que precisam provar para si mesmos que conseguem melhorar sua vida profissional ou pessoal, aqueles que se sentem prejudicados com um país ingerente, impune e submerso no egoísmo político, aquele individualismo de doer, de fazer morrer.
            É importante não só ver o tempo passar, é imprescindível fazer desse tempo um companheiro da felicidade de aprender, conseguir emprego desejado, ter um salário maior que o mínimo, ter paz, ver o nosso país ficar bom, construir, unir...

Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente no dia 6.5.2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Educação parece com homeopatia

            A educação é muito parecida com a homeopatia. É preciso o tratamento homeopático para nos livrar de certos males, mas não podemos desobedecer ao que se prescreve como medicamentos e regimes. O resultado ocorre, não precisa se desesperar, pois é preciso paciência e perseverança. Pouco tempo depois teremos bons frutos daquele esforço que logo passou e foi muito válido. Infelizmente, o quadro que encontramos na educação é quase desesperador, as escolas precisando de reforma na estrutura física e nos bens móveis. O quadro funcional está desfalcado com tantos funcionários se aposentado e os concursos que não acontecem para os profissionais ocuparem essas vagas. Muitos contratos com baixo salário, pouco atrativo para que os contratados trabalhem pelo período estabelecido.
            Não está sendo atrativo trabalhar na educação. Contamos com um limitado recurso humano e material. Algumas escolas, em Maceió, iniciaram as aulas, mas os alunos ainda não tiveram todas as aulas, falta professor. Quando a escola tem professor o suficiente para começarem as aulas, falta algo, como merenda ou material didático, sem contar com os ventiladores. As salas com 40 ou 45 alunos e o calor ficando mais intenso. Não adianta chover, o calor é grande.
            O governo estadual distribuiu o material didático – mochila, cadernos, lápis, borracha, etc – e faltou distribuir carteiras escolares, cadernetas dos professores, ventiladores. O salário aumentou sem retroativo, como se todos os preços no Brasil tivessem sido congelados junto com o salário, desde 2006.
            Temos alunos órfãos de pais vivos que são carentes demais para aprender em um ano o que deveria aprender, precisamos socializar, conhecer e depois começar a ensinar os conteúdos a esses clientes. Nas aulas do noturno temos as mais diversas situações. Separar brigas, ouvir ambos os lados, tentar mediar o que, muitas vezes, não tem mediação. Servimos de mães e pais, somos também muito xingados por eles, porque acham que podem fazer isso, não existe aquele respeito “daquela época”. Os alunos falam alto, medem voz um com o outro. Pronto, já estamos no caminho “certo” da educação sem educação.
            A dica é que todos façamos a nossa parte, é trabalhoso, mas dá bons resultados, vamos trabalhar para que a educação fique boa, porque não pode melhorar o que está ruim.

Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente no dia 13.4.2011

domingo, 3 de abril de 2011

Eles não conseguem entender.



Roselene Nunes de Lima



            Quantos textos, livros, jornais ou revistas publicam o tema analfabetismo funcional? Nem conseguimos contar. Os textos científicos e de opinião mencionam praticamente sempre o mesmo, que o Brasil está com alto índice de analfabetos funcionais, aquelas pessoas que se dizem alfabetizadas, assinam o nome, mudam de ano escolar – são aprovadas, arrumam “empregos”, mas não conseguem entender o que leem. Alguns escrevem e depois não conseguem ler o que escreveram ou por não entenderem a própria letra ou por não se lembrarem do que escreveram.
            A música constante no celular, o namoro, o bar, as piadas na TV, os chopes ou as cachaças nos fins de semana, os shows ou..., são opções mais atrativas do que sentar para estudar e se dedicar a um texto, por pequeno que seja esse tempo de dedicação. Momentos que enriquecem a nossa inteligência são poucos para a maioria dos brasileiros, pois sempre existe uma desculpa para não fazê-lo.
Nós, professores, que estamos com esse público todos os dias, sabemos muito bem como é. É um tal de “não tive tempo, professora” que é de entristecer. E se o aluno é do noturno a situação ainda é pior. Sempre defendo que dar aula no noturno é ir receber o salário. O trabalho não “anda”, fica parado. Esta inércia não é desejo nosso, é a quantidade imensa de alunos faltosos, eles assistem duas aulas e faltam duas ou três – com poucas exceções. São vários os motivos para a falta de acompanhamento. Estava trabalhando, cansado, com preguiça (é, eles falam mesmo que não foram à aula por preguiça ou porque “quis”) ou que tinha ido assistir à novela ao futebol, ao BBB 11...
Não se sabe se já houve paciência, mas acredita-se que este “ser” não exista em grande proporção, pois a maioria dos nossos alunos não tem paciência com as pessoas, nem consigo mesmo. 
Quando a criança aprende a ler, os adultos exigem muito dela solicitando que leia rápido aquele texto e ainda dizem que ela não sabe ler direito. A criança fica tão impressionada e ansiosa para ler rapidamente que esquece o verdadeiro sentido da leitura, que é entender o que se lê. Há uma transferência dessas informações para os anos seguintes de escolaridade e os alunos sabem ler (bem rápido), mas não sabem entender o que estão lendo. O triste disso tudo é que esses alunos crescem e querem que os professores leiam para eles as avaliações, as histórias, os artigo de jornais e outros textos.  
Não dá para ler o tempo todo para eles, é preciso crescer e perder o medo de aprender, um dia nós começamos a ler e aprendemos a entender, agora é a parte deles.

Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente no dia 2.4.2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Eu não acredito em mim!


Roselene Nunes de Lima


            Entrar em sala de aula e começar a falar sobre o objetivo daquele dia, a disciplina que leciona e como podemos aprender melhor é uma tarefa um pouco difícil quando se trata de alunos com um nível baixo de autoestima. Alguns dizem que essa disciplina é muito difícil, que não vão conseguir aprender ou dizem que são “burros”. Alguns até generalizam e dizem que a turma não vai conseguir entender nada da explicação. Imagine tirar essa força de impotência que eles trazem de casa, por serem diminuídos pelos familiares ou por terem algum déficit.
            Os alunos do noturno, que estão há muito tempo sem ir a escola, logo falam que não sabem se vão dar conta de aprender porque não estudam “há 15, 18 ou 20 anos”, esses, muitas vezes, são os que se destacam e aprendem melhor que aqueles que estavam no ano passado na escola. Não conseguem enxergar que são capazes e se depreciam.
            As famílias não dão atenção aos filhos como deveriam dar, às vezes machucam os sentimentos, os espancam e os desprezam. Provavelmente não aprenderam como criar os filhos, ou não tiveram bons exemplos e não confiam nos filhos como não confiaram em si. Quantas vezes flagramos nossos alunos depreciando os colegas, mangando mesmo, com assovios e gritos, pelo fato deles não conseguirem uma nota boa ou não responder uma pergunta feita pela professora ou professor.
            Os sentimentos dos nossos alunos estão cada vez mais confusos. Acreditam que a violência não diminui porque as pessoas são ruins e não têm conserto. Os programas de televisão que fazem sensacionalismo ajudam, e muito, nesta conclusão errônea dos menos valorizados – por eles mesmos. Os programas condenam e dão a punição “correta”. Os programas de televisão que dão educação e cultura estão na televisão paga, o que os alunos – a maioria – de escolas gratuitas não têm chance de assistir. Quando os programas, que fazem os nossos alunos crescerem intelectualmente, estão na televisão “aberta”, passam muito cedo da manhã, horário que a criança ainda está dormindo ou o adulto está indo para o trabalho, não existe um meio termo.
            Muita violência e pouca educação. Muito cuidado policial com o Senhor Obama, aquele que é o “cara” para o mundo, nessa visita ao Brasil, e pouca proteção aqueles que fazem do Brasil um país melhor, nós professores. Não estamos sendo respeitados em vários aspectos, sejam políticos ou sociais.
            Viver com dignidade no nosso país é uma tarefa árdua, precisamos de muita paciência e perseverança, além de tudo temos que esperar e lutar para que tudo isso um dia melhore.

Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente no dia 22.3.2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Escola pública não é punição


Roselene Nunes de Lima

            As aulas já vão começar nas escolas públicas municipais e estaduais, todos estão ansiosos para rever os amigos antigos e conhecer novos. Os alunos que já são clientes, o que se chama ‘da casa’, conhecem a escola e seu sistema, os novos vão buscar adaptação devagar ou rapidamente, depende de cada um. Bem pensado no termo devagar, pois têm grupos que são de uma empatia formidável e tão grande que na primeira semana já parecem amigos inseparáveis. Os jovens são assim, adaptam-se muito facilmente, o que é muito bom para as relações nas escolas.
            Na escola paga também funciona parecido, até porque somos todos seres humanos e não somos quase nada diferentes. Os costumes de um ambiente parecem com os costumes de outros ambientes, falando a mesma língua ou não passamos por situações similares.
            Alguém já ouviu um pai ou uma mãe dizer a célebre frase: “Se não passar de ano nessa escola eu coloco na escola pública.”? Acredito que muitos de nós já escutamos.  O pior é que ainda tem o triste complemento: “Eu não vou gastar dinheiro se você não quer estudar”. As famosas chantagens que às vezes dão certo e os filhos chantageados “estudam” para serem aprovados porque ir para escola pública é passar o maior mico, no ponto de vista de alguns alunos ou mesmo dos pais.
            Agora eu pergunto: estudar na escola pública é punição? Será que é tão ruim como esses pais falam? O interessante é que nós já fomos alunos das escolas públicas. Sem contar que há algumas escolas particulares que são tão sem estrutura física e humana que são capazes de atrasar por meses os salários dos professores e, mesmo assim os alunos acham uma vantagem imensa estudar nelas. Alunos pobres que, muitas vezes nem pagam a mensalidade, se acham ricos.
            Além da escola pública ser desprestigiada ainda há pessoas que chegam nelas num “salto” de dá medo, exigem o atendimento imediato e dizem que vão deixar o filho naquele ano porque é o jeito.
            Os pais que fazem da vida dos filhos um jogo de azar, apostando nesse ou naquele lugar para que eles se deem bem na vida poderiam tratá-los de forma humana, descobrindo as fragilidades e necessidades deles, seus anseios, seus pontos fortes e explorar bem o que é de melhor que tem dentro de cada um, mostrar porque se deve estudar e que a escola é sempre muito boa e nos possibilita conhecer um mundo a nossa frente.
            Senhores pais, escola pública não é punição, um dia já estudamos nela e criamos nossos filhos.

Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente no dia 17.2.2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Paradoxos brasileiros



Roselene Nunes de Lima

            O Nordeste do Brasil é no Brasil, mas não parece para os que o discriminam. Duas reportagens passaram na televisão com o mesmo tema e com informações diferentes. A televisão transmite informações sem base em pesquisa? Os telespectadores ficam confusos quando assistem a dois canais e,se assistirem somente a um canal, ficam certos das informações. A reportagem em um canal de televisão foi informando que a região sudeste está carente de pedreiros porque esse profissional algum tempo atrás era oriundo do Nordeste do Brasil e, pelo fato de haver o programa social do governo federal, bolsa família, esses pedreiros não estavam mais precisando buscar emprego fora do Nordeste, pois se sustentavam do dinheiro do programa. Já outro canal disse que o motivo da carência de profissionais da construção civil em São Paulo e Rio de Janeiro se devia ao crescente número de obras no Nordeste e, as pessoas que antes buscavam empregosem outros cidades,passou a tê-los próximo as suas residências. Pode até ter uma terceira opinião, mas a primeira quis diminuir os nordestinos, como se no Nordeste do Brasil só existisse pedreiro e que o povo nordestino se sustentasse somente do bolsafamília. Sabemos que o bolsa famíliaatende pessoas de baixa renda do Brasil inteiro.
As pessoas procuram emprego e o nível exigido é curso médio da Educação Básica, mas ter curso médio não garante saber ler e escrever, requisito mínimo para se trabalhar como aprendiz ou no comércio, pois segundo o sítio www.planetaeducacao.com.br, “No Brasil, 75% das pessoas entre 15 e 64 anos não conseguem ler, escrever e calcular plenamente. Esse número inclui os 68% considerados analfabetos funcionais e os 7% considerados analfabetos absolutos, sem qualquer habilidade de leitura ou escrita. Apenas 1 entre 4 brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo.”, o que significa que só 25% das pessoas conseguem ter a habilidade de corresponder as expectativas das empresas.
Muitos alunos matriculados, que se acham estudantes, mas na verdade são frequentadores de aulas, iludem os familiares quando “passam” de ano – são aprovados – e dão a impressão que estão aptos a galgar, de fato, degraus da intelectualidade.
O governo federal quer alunos aprovados com qualidade, mas só libera dinheiro para a educação se aquela escola tiver alto índice de aprovação. Ter qualidade é difícil num universo de alguns professores sem compromisso com a educação alheia – só pensam na educação dos seus filhos – ou muitos alunos com históricos variados nas suas vidas, como desinteresse dos pais por eles, facilidade de aquisição de bens materiais vendendo drogas, principalmente quando esse aluno é menor de idade. Outro fator que atrapalha o interesse em estudar são os jogadores de futebol sendo bem valorizados pela mídia. Todos aqueles que gostam de jogar uma “pelada” também acham que podem ter sucesso, mas não é verdade.
Nós, professores, precisamos construir um Brasil pensante e crítico.
Artigo publicado no Jornal Tribuna Independente em 2.2.2011